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Entrevista com o síndico

Entrevista com o síndico: Giseli de Aguiar


Postada em 05/09/2019 às 12:07
Por Marília Montich

Arquivo pessoal

Giseli Maria Moreira de Aguiar, de 61 anos, é exemplo de dinamismo. Síndica profissional há oito anos, ela administra simultaneamente quatro condomínios em São Paulo - Ville Giverny, Place Vendôme, Parque dos Jequitibás e America Business Park, este último comercial. Descobriu a vocação após se aposentar como bancária e hoje agrega antigos e novos conhecimentos para gerir a rotina de centenas de pessoas.


Como a senhora definiria seu perfil de síndica?
Sou cuidadosa com as pessoas, com o cumprimento de legislação, convenção, regulamento interno, normas técnicas e regulamentadoras, além de exigente com a prestação de serviços. Sendo assim, procuro contratar mão de obra sempre visando o melhor preço sem descuidar da qualidade, da técnica e da documentação legal. Também busco estar atenta e encaminhar as demandas dos condôminos por melhores serviços e valorização do imóvel.


Quais são, na sua opinião, os principais desafios da carreira?
Mediar conflitos e conhecer tudo que envolve a gestão, pois o síndico precisa entender de administração, contabilidade, direito, legislação, normas regulamentadoras e técnicas e de alguns serviços mais específicos como hidráulica e elétrica. O síndico não precisa ser um especialista nesses assuntos, porém deve se informar e conhecer para que possa tomar decisões e para encaminhar adequadamente as questões para deliberação pelos condôminos.


Especificamente em relação a um condomínio empresarial, quais são os percalços?
No condomínio comercial as questões relativas à manutenção e modernização de equipamentos são muito mais complexas e os custos muito elevados, então manter tudo funcionando e atualizado é um grande desafio.


Qual a situação mais difícil que enfrentou sendo síndica e como a solucionou?
Sempre há situações difíceis, mas uma que me marcou pelo desgaste gerado foi a condução de um problema relacionado à contratação de um arquiteto para reforma de uma academia. Esse profissional apresentou o projeto, que foi aprovado, porém condicionou que a execução da obra fosse realizada por sua equipe. Verifiquei as referências sobre trabalhos executados por eles, que apresentaram menor cotação, mas as referências não foram boas e decidi que contrataríamos outra empresa. Propus ao arquiteto que fizesse todo o acompanhamento da obra e ele se recusou, alegando que só trabalhava com a equipe própria, e emitiu uma nota fiscal com o valor total do projeto (incluindo trabalhos não realizados). Como me recusei a pagar por serviços não prestados ao condomínio, ele protestou o prédio. Então, em nome do condomínio entrei com duas ações na justiça, sendo uma de inexigibilidade do débito e outra de sustação de protesto. Foi um processo longo, mas o condomínio ganhou as duas ações.


Acredita que atualmente o papel do síndico é mais valorizado do que era antigamente?
Acredito que atualmente é um pouco mais valorizado, porém ainda temos um caminho longo a percorrer. A maior parte dos condôminos desconhece qual o papel e as responsabilidades da função. O controle sobre cumprimento da legislação tem sido aperfeiçoado, como por exemplo o eSocial e a retenção de impostos, e muitos condôminos ainda acreditam que um" faz tudo" pode ser contratado, sem nota fiscal e sem ter a exata noção das consequências para o condomínio.



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