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Convivência

Zelador transforma comunicados em vídeos e ganha atenção dos moradores


Postada em 22/10/2019 às 11:51
Por Caroline Garcia


Há cerca de um ano e meio, o zelador Horácio Monteiro de Almeida, 46 anos, percebeu que os comunicados convencionais não eram mais tão atrativos assim para grande parte dos moradores de um condomínio na Zona Sul de São Paulo com 84 unidades. Foi quando ele resolveu, com o apoio do síndico, gravar vídeos e transmiti-los via WhatsApp.


“Todos os tipos de comunicados, dos mais simples aos mais importantes, não eram lidos por boa parte dos condôminos. Foi aí que fiz um teste de gravar um vídeo e a recepção foi muito positiva. O resultado foi muito melhor do que em relação aos impressos. Desde então, mesclo as gravações com os documentos tradicionais e via digital também, que seguem sendo enviados.”


O conteúdo dos vídeos varia conforme a necessidade: manutenção, segurança, utilização dos espaços nas áreas comuns, festas coletivas entre os moradores, troca de vagas e assembleias. Assuntos atuais também estão na pauta do zelador. “Quando tivemos tragédia que vitimou uma família por causa de um aquecedor com defeito (leia aqui), fiz um vídeo falando sobre a importância das manutenções preventivas.”



A criatividade também ganha vez nas publicações de Almeida, que utilizou até a vinheta de plantão da TV Globo para chamar atenção. “Foi para um vídeo sobre a urgência de colher digitais para o sistema de segurança.”


Ao invés de criar um grupo na rede social, o zelador preferiu montar uma lista de transmissão e, desse modo, se comunica com o morador no modo privado do WhastApp. “Assim como em grupos de famílias só ficariam quinhentos ‘bom dia’, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’ e nada de produtivo aconteceria. Preferi gerar uma lista com todos os contatos e mando de forma que a resposta fica somente entre mim e o morador, não abrindo para todos para evitar discussões.”


Almeida começou na profissão há 9 anos e herdou do pai o gosto pelo cargo. “Ele foi zelador por muitas décadas e aprendi bastante com meu pai em termos de caráter, honestidade e comprometimento. Fiz o curso de zeladoria e fui à luta. Em minha primeira entrevista fui selecionado entre outros quatros profissionais que já tinham experiência na área. Mas estava bem preparado porque além das aulas, já tinha formação em informática, montagem de microcomputadores e eletricista.”


Orgulhoso de sua carreira até agora, o profissional é categórico ao afirmar que a relação entre síndico e zelador precisa ser o mais transparente possível. “A confiança tem que vir das duas partes. Não é clichê dizer que unidos somos mais fortes. Confiança, parceira e respeito são as palavras-chaves. O zelador não pode ser só o braço direito do síndico, tem que ser também o esquerdo para ajudar a solucionar os desafios do dia a dia.”


Sobre o fato crescente de as construtoras não entregarem mais edifícios com previsão de moradia para os zeladores, que acabam trabalhando somente em horário comercial, Almeida, que vive com a esposa e a filha no condomínio em que trabalha, se põe contra. “É uma ‘economia’ para quem administra em primeiro plano, mas pode ser um grande tiro no próprio pé. Em casos de emergências como incêndios, curtos circuitos e alagamentos, quem pode sinalizar de forma mais rápida possível para diminuir os danos? Será que essa economia vale o preço? Pois todos os zeladores com os cursos atualizados vão saber agir da forma mais rápida possível para minimizar os prejuízos.”


 


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