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Convivência Sustentabilidade

Cooperativa dá lição de sustentabilidade em condomínio em Pirituba


Postada em 24/10/2019 às 14:39
Por Marília Montich

Marcos Druzilli

Moradores do Residencial Barra do Jacaré, em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, deram uma verdadeira aula de sustentabilidade e união. Integrantes de uma cooperativa, eles colocaram a mão na massa para erguer as 592 unidades habitacionais do local, que devem ser entregues no início de dezembro. Entre os materiais utilizados na obra constam itens recicláveis e muito amor.


Caixas de leite e copinhos de café foram alguns dos objetos empregados na construção. As primeiras fizeram a vez de tijolos para o calçamento das ruas, por onde circulam os carros. Já os segundos foram usados como espaçadores para as lajes. Além disso, água que mina no terreno servirá para regar plantas e lavar as áreas comuns.


“Trata-se de um sistema de autogestão. Para entrar no programa Minha Casa Minha Vida, nós tínhamos que ter mão de obra mutirante e promover ação social. Fizemos acontecer. Estabelecemos que todos os moradores tinham necessidade de participar. Contávamos presença que valia, inclusive, ponto para fazer a escolha do apartamento. Quem teve melhor ranqueamento pôde optar pela melhor unidade”, explica Vagner José Simplicio, um dos cooperadores.


Esta não é a primeira obra levantada pela cooperativa, mas, segundo Simplicio, os trabalhos vêm sendo aprimorados com o passar do tempo. A ideia de incluir materiais recicláveis partiu da gerência e da comissão organizada. A construtora também se envolveu no projeto. “Ela, a princípio, veio só para vender seu serviço de edificação, mas depois começou a entender nosso propósito. Passou a colocar seus funcionários para executar a parte técnica daquilo que a gente idealizava nas reuniões.”


Os benefícios trazidos pela inciativa puderam ser sentidos de cara na parte mais sensível do corpo: o bolso. “As medidas trouxeram uma economia gigantesca, o que refletiu em material de qualidade melhor nas unidades. Conseguimos, por exemplo, economizar o suficiente para entregar os apartamentos com piso de porcelanato em toda a extensão, não apenas nas áreas frias, como é de costume. A longo prazo, o que alcançamos foi a mudança da mentalidade das pessoas. Foi necessário trabalhar, colaborar, cumprir tarefas e escalas. Então entendemos que isso reflete no pensamento colaborativo”, aponta Simplicio.


Para o cooperado, a iniciativa pode servir de exemplo para demais edificações, tanto para as que ainda estão em fase de construção como para aquelas já em funcionamento. “Mostramos que donas de casa e profissionais que nada têm a ver com construção civil conseguem levantar um empreendimento. É possível fazer algo quando as pessoas estão dedicadas”, finaliza.