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Entrevista com o síndico

Entrevista com o síndico: Betine Glina


Postada em 19/12/2019 às 09:53
Por Marília Montich

Arquivo pessoal

Foi observando os problemas do próprio prédio que a vontade de participar ativamente da gestão condominial surgiu para Betine Glina, 56 anos. A carreira começou no conselho fiscal, em 2007. Cinco anos depois, se tornou síndica orgânica e hoje é gestora profissional de cinco empreendimentos em São Paulo - Araruama, Igarapé, Magnus, Ilha de Marajó e Santa Sofia -, todos na região de Santa Cecília e Higienópolis. A próatividade é uma característica forte de Betine, que vê na atividade uma série de desafios, porém muita satisfação em retorno.


Como define seu perfil de síndica?


Costumo dizer que sou uma síndica "mão na massa". Quero estar em todos os lugares vistoriando e, se precisar, fazendo. Cuido pessoalmente dos problemas, procurando sempre solucioná-los junto aos fornecedores, funcionários, administradora, conselho e moradores.


Como e quando descobriu sua vocação?


Todo morador de condomínio se sente um pouco síndico, mas muitas vezes não sabe como ser. No meu prédio eu via muita coisa errada: síndicos omissos, o zelador mandava em tudo, superfaturava os serviços, o prédio estava caindo aos pedaços e nada era feito para melhorar. Até que surgiu a oportunidade de entrar no conselho fiscal. Fui tomando conhecimento sobre as leis e as necessidades do condomínio. Era uma conselheira atuante e muito questionadora. Então por que não ser síndica?


Quais são, na sua opinião, os principais desafios da carreira?


Ser síndica é muito desafiador, mas ao mesmo tempo prazeroso. O maior obstáculo é convencer os moradores das necessidades do condomínio, pois muitas vezes, quando contratam um síndico externo, eles querem que o profissional faça milagre com pouco dinheiro ou querem que a taxa condominial seja reduzida e o empreendimento esteja lindo e dentro da lei. Sabemos que não é por aí. Para reduzir custos tem que se modernizar e estar dentro das conformidades.


Qual a importância de saber se relacionar com os condôminos?


Fundamental. Quando o síndico é eleito, ele tem uma missão: conquistar a turma do contra, aqueles que acham que o síndico sempre quer levar vantagem e que o novo profissional veio para desfazer o que já foi feito.


Qual a importância do conselho condominial?


É fundamental estar cercada de pessoas competentes para alcançar uma boa gestão? O conselho é chave da boa gestão. É ele que direciona onde o síndico deve focar. O conselho deve estar aberto para as ideias do síndico e propor estratégias.


Por que vale a pena ser síndica?


A minha missão é cuidar do patrimônio das pessoas e, quando vejo a satisfação delas, para mim já está valendo muito. Sei, contudo, que não vou agradar a todos.


Acredita que o papel do síndico é mais valorizado hoje do que antigamente? Por quê?


Com certeza. O síndico hoje é o gestor de uma empresa, com acionistas – os proprietários -, funcionários, fornecedores e, principalmente, leis. Para ocupar essa posição é preciso ter conhecimento de gestão. No passado, os síndicos achavam que morar no condomínio e ser bacana com todos era o bastante. Atualmente a responsabilidade é muito grande para ser apenas uma pessoa "legalzinha".


 


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