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Entrevista com o síndico

Entrevista com o síndico: Waldyr Boaretto


Postada em 03/02/2020 às 11:09
Por Caroline Garcia

Arquivo pessoal

Waldyr Boaretto, de 55 anos, era vendedor quando entrou no mundo condominial em 1994. Uma insatisfação na administração do condomínio em que morava o fez se candidatar ao cargo de síndico. Foi eleito. Tal universo o cativou e ele se profissionalizou no mercado. Hoje atua como subsíndico no condomínio Sierra Dorada, no Jardim Prudência, com 72 moradores, mas está em busca de oportunidades para gerir outros prédios da cidade de São Paulo. Segundo ele, a carreira de síndico é “a profissão de um abnegado”, que renuncia às suas próprias vontades para fazer cumprir a dos outros, no caso, em prol do bem comum, que é a vida em condomínio.


Há quanto tempo você é síndico e como entrou nessa carreira?
Comecei como síndico orgânico em 1994. Como não estava contente com a transparência na administração do edifício onde morava, me candidatei e acabei gostando. Como fiz administração no curso técnico e na faculdade, foi relativamente fácil aprender a gerir o condomínio. Depois me certifiquei com cursos de síndico profissional nas associações especializadas.


Atualmente qual é a sua ocupação?
No momento sou subsíndico do condomínio onde moro, na Zona Sul de São Paulo. Não quis concorrer ao cargo de síndico para poder me dedicar a buscar novas operações e ter experiências em outros condomínios.


Qual é, na sua opinião, a parte mais difícil em ser síndico?
Fazer o morador seguir as normas do condomínio.


Qual a diferença entre a responsabilidade do síndico e do subsíndico?
No novo Código Civil, o subsíndico nem existe. O ponto é que esse cargo depende muito do síndico. Se for um subsíndico muito lento, é ruim. Se for muito ágil, o gestor fica com medo da concorrência. Mas sabendo aproveitar as qualidades da pessoa e estabelecendo funções bem definidas, é uma posição que pode ser bem aproveitada e de grande ajuda no condomínio. Agora, a responsabilidade civil é total do síndico.


Teve algum episódio marcante que já passou como gestor condominial que vale a pena compartilhar?
Sim, fui responsável por várias obras nos dois prédios onde fui síndico, principalmente no Sierra Dorada, onde já moro há 20 anos. Neste condomínio a principal obra foi a troca de tubulação de recalque para as caixas superiores, dos barriletes e das prumadas de descida dentro de cada unidade. Isso foi um marco no condomínio, pois mexeu naquilo que considero o coração do edifício.


Como você se mantém atualizado na sua profissão?
Por meio de cursos, palestras, workshops, rodadas de negócios, exposições e empresas que promovem apresentações. Me dedico muito à leitura de leis, como Código Civil, lei do inquilinato e normas da NBR. Além disso, mantenho relacionamento com quatro grupos de síndicos onde trocamos in formações das dificuldades e um acaba ajudando o outro. Nos manter atualizado é fundamental, porque conhecimento nunca é demais e só ajuda no dia a dia.


Você sente orgulho em ser síndico? Por quê?
Sim, muito. Quero ajudar para que essa carreira vire profissão. Precisamos quebrar paradigmas de que síndico só quer o cargo para “levar bola” por fora. Essa é uma função que já é a profissão de um abnegado.


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