Assessorias esportivas impulsionam atividades físicas em condomínios

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Por Caroline Garcia 

O brasileiro não se exercita como deveria. É o que mostram pesquisas que monitoraram o nível de atividade física da população nos últimos anos. Estudo da OMS (Organização Mundial de Saúde) de 2018 apontou que 47% das pessoas não fazem exercícios o suficiente no país. O número é muito parecido com o do levantamento feito somente na Capital pela Rede Nossa São Paulo, divulgado em setembro deste ano, no qual verificou-se que 48% dos paulistanos são sedentários.

O principal motivo alegado por aqueles que responderam o questionário mais recente para não ser fisicamente ativo é a falta de tempo (39%), seguido por problemas financeiros (24%) e preguiça ou desmotivação (20%). É exatamente na economia de tempo e praticidade, aliada a um menor custo, que se apoiam as assessorias esportivas em condomínios. Por meio deste serviço, profissionais de educação física montam aulas e atividades específicas para serem realizadas dentro das dependências dos edifícios, nos horários de preferência dos moradores.

“Estou neste ramo há 20 anos e hoje pode-se dizer que a assessoria esportiva nos condomínios é algo consolidado. A procura vem aumentando justamente pela mudança nas estruturas dos prédios, que estão cada vez mais oferecendo diferentes tipos de espaços de lazer para os condôminos. Além disso, o custo-benefício, a segurança e comodidade também contam pontos”, afirma Marcello Cafaro, presidente Abaecon (Associação Brasileira de Assessoria Esportiva em Condomínios).

Existem dois tipos de contratos que podem ser feitos com o prédio: um que contempla todos os proprietários, de forma que o rateio é entre todos os apartamentos, e outro por grupos de moradores, onde só paga quem usufrui das atividades. O mais recomendado pela Abaecon é fechar os acordos sempre pensando na primeira opção. O síndico é essencial em ambas as modalidades porque, além de autorizar o uso dos espaços, é ele o representante legal do condomínio.

“Por ser rateio entre todos os moradores, o valor pago mensal fica muito mais em conta do que uma academia. Dentro do universo atendido pela Abaecon na Grande São Paulo, o ticket médio por apartamento, levando em consideração que o condomínio é de grande porte, com cerca de 500 unidades, é de R$ 65”, analisa Cafaro.

Apesar de as atividades serem elaboradas visando o grupo – com exceção do serviço de personal trainer –, os profissionais de educação física garantem que os exercícios pensados pelas assessorias para serem feitos dentro dos condomínios não deixam a desejar em relação aos treinos que são montados para serem realizados nas academias.

“No condomínio é necessário otimizar o espaço com aparelhos multifuncionais e fazer uso de colchonetes, elásticos e corda para que com o peso do próprio corpo o aluno consiga um treino eficiente”, disse o educador físico Milton Ambergue, da Ambergue Assessoria Esportiva. É o que também garante o profissional de Educação Física Rafael Tafarelo, do Grupo Ravi: “As bases fisiológicas e biomecânicas se aplicam em qualquer ambiente”.

Mesmo se o empreendimento não tiver uma academia disponível para os condôminos é possível utilizar outros espaços, como salão de festas. “O indicado é que a futura assessoria faça uma visita até o local tanto para sugerir ao síndico possíveis melhorias na questão de materiais de apoio quanto aos tipos de grades de atividades que podem ser oferecidas conforme as dependências que serão utilizadas”, afirma Ambergue.

O fato de os moradores serem de faixas etárias distintas e terem habilidades diferentes não inviabiliza as aulas das assessorias montadas para grupos, que podem ser ajustadas dependendo da demanda. “Montamos uma atividade geral para cada tipo de modalidade escolhida pelos condôminos. Mas sabemos que as pessoas não estão em níveis de aptidão iguais e algumas podem ter inclusive limitações físicas e, por esses motivos, fazemos adaptações dentro das aulas caso haja necessidade”, diz Ivan Stefani, educador físico do Grupo Ravi.

Cada contrato terá a sua especificidade, assim como um preço diferente, mas as aulas geralmente têm duração máxima de uma hora e são realizadas de duas a três vezes por semana. Dentro da grade de atividades é possível incluir somente musculação e ginástica ou modalidades como natação, ioga e dança. O número de educadores físicos também varia conforme o exercício. “Em aula de caminhada ou corrida podemos atender de 20 a 30 alunos de uma só vez. Já para pilates solo ou ioga, o máximo são oito pessoas”, conta Stefani.

De acordo com a pesquisa da OMS, com praticamente metade da população considerada ociosa, o Brasil está no grupo de países onde há maiores índices de sedentarismo, superando até os Estados Unidos, onde 40% dos habitantes não se exercitam o suficiente.

A atividade física regular é essencial para a saúde e ajuda a retardar o desenvolvimento de doenças crônicas. A recomendação do órgão é que um adulto realize no mínimo duas horas e meia de exercícios de intensidade moderada ou uma hora e quinze de atividade intensa por semana.

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