Cooperativa dá lição de sustentabilidade em condomínio em Pirituba

São Paulo Sustentabilidade

 

Marcos Druzilli

Por Marília Montich

Moradores do Residencial Barra do Jacaré, em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, deram uma verdadeira aula de sustentabilidade e união. Integrantes de uma cooperativa, eles colocaram a mão na massa para erguer as 592 unidades habitacionais do local, que devem ser entregues no início de dezembro. Entre os materiais utilizados na obra constam itens recicláveis e muito amor.

Caixas de leite e copinhos de café foram alguns dos objetos empregados na construção. As primeiras fizeram a vez de tijolos para o calçamento das ruas, por onde circulam os carros. Já os segundos foram usados como espaçadores para as lajes. Além disso, água que mina no terreno servirá para regar plantas e lavar as áreas comuns.

“Trata-se de um sistema de autogestão. Para entrar no programa Minha Casa Minha Vida, nós tínhamos que ter mão de obra mutirante e promover ação social. Fizemos acontecer. Estabelecemos que todos os moradores tinham necessidade de participar. Contávamos presença que valia, inclusive, ponto para fazer a escolha do apartamento. Quem teve melhor ranqueamento pôde optar pela melhor unidade”, explica Vagner José Simplicio, um dos cooperadores.

Esta não é a primeira obra levantada pela cooperativa, mas, segundo Simplicio, os trabalhos vêm sendo aprimorados com o passar do tempo. A ideia de incluir materiais recicláveis partiu da gerência e da comissão organizada. A construtora também se envolveu no projeto. “Ela, a princípio, veio só para vender seu serviço de edificação, mas depois começou a entender nosso propósito. Passou a colocar seus funcionários para executar a parte técnica daquilo que a gente idealizava nas reuniões.”

Os benefícios trazidos pela inciativa puderam ser sentidos de cara na parte mais sensível do corpo: o bolso. “As medidas trouxeram uma economia gigantesca, o que refletiu em material de qualidade melhor nas unidades. Conseguimos, por exemplo, economizar o suficiente para entregar os apartamentos com piso de porcelanato em toda a extensão, não apenas nas áreas frias, como é de costume. A longo prazo, o que alcançamos foi a mudança da mentalidade das pessoas. Foi necessário trabalhar, colaborar, cumprir tarefas e escalas. Então entendemos que isso reflete no pensamento colaborativo”, aponta Simplicio.

Para o cooperado, a iniciativa pode servir de exemplo para demais edificações, tanto para as que ainda estão em fase de construção como para aquelas já em funcionamento. “Mostramos que donas de casa e profissionais que nada têm a ver com construção civil conseguem levantar um empreendimento. É possível fazer algo quando as pessoas estão dedicadas”, finaliza.

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