É tempo de folia dentro do condomínio

Convivência
Wilson Dias/Agência Brasil

Por Caroline Garcia 

Não é só na rua que o bloco passa. Muitos condomínios aproveitam o Carnaval para organizar comemorações nas áreas comuns dos edifícios. As celebrações divertem os pequenos e ajudam a estimular a convivência entre os moradores.

Mas, assim como todas as questões condominiais, para tomar qualquer decisão é preciso levar em conta a coletividade e também a antecedência. Não é de uma hora para outra que se organiza uma festa, ainda mais quando envolve gastos.

A recomendação dos especialistas é que o tema seja discutido previamente em assembleia. “Seria o caminho para definir critérios da festa, como horário, espaços a serem usados, se adolescentes vão poder estar desacompanhados de um responsável e como será rateada a despesa caso haja. O quórum para aprovação é o da maioria simples dos presentes”, conta Alexandre Marques, advogado e coordenador da pós-graduação em Direto e Gestão Condominial da FAAP (Faculdade Armando Alvares Penteado).

Dependendo da programação orçamentária do condomínio, o custo para a festa já pode estar incluído nas despesas ordinárias, ou seja, os condôminos não precisarão pagar a mais para a realização da comemoração que, de certa forma, já está prevista pela cota condominial. Caso não esteja, prevalece o que for determinado em assembleia. O mais comum é que seja dividido de forma igualitária entre todos os moradores, já que a festividade é voltada para todo o condomínio.

Uma terceira possibilidade, no entanto menos utilizada, é a venda de entradas. “Adquire o convite quem tiver interesse e utiliza-se essa verba para patrocinar a festa”, conta Marques.

Decidido pela festa e a forma de custeio, é hora de prestar atenção em outros detalhes. “Um dos cuidados iniciais é o bom convívio entre os moradores. É preciso se preocupar com o alto volume do som, horário de término e limpeza do espaço. O adequado é seguir as determinações do regulamento interno, que deve estar devidamente atualizado para contemplar todas as possíveis variáveis”, afirma Rogerio Robotton, diretor de relacionamento e inovação, e Paulo Claudino, gerente de suporte e atendimento ao cliente da Robotton.

Marques pontua que é aconselhável deixar públicas as regras para o uso das áreas comuns onde o evento será realizado. “Deve-se relembrar, inclusive, que o morador que causar prejuízos ao condomínio, como danos nas áreas comuns e decoração, por exemplo, terá que arcar com este custo. Por outro lado, o síndico também precisa ter o cuidado de proteger áreas mais sensíveis como um jardim ornamental ou um setor que esteja em obras e/ou reforma para que as pessoas não circulem por tais locais, podendo inclusive se machucar.”

Arquivo pessoal

Anos de experiência – Em novembro de 2019, o síndico José Ronaldo Menezes aprovou em assembleia, entre outras deliberações, o cronograma anual de festas do Condomínio Morumbi Sole, na zona sul da Capital. A primeira do ano será a de Carnaval. “Trabalho há 18 anos como síndico profissional e organizo festas em todos os condomínios que administro. O motivo principal é para estimular a convivência e também porque sou festeiro e acho que as comemorações animam o ambiente e descontraem”, fala o gestor.

No condomínio que Menezes administra, com cerca de 900 condôminos, os gastos com as comemorações já estão previstos nas despesas ordinárias, então não há rateio a parte. Uma comitiva de moradores geralmente é nomeada e organiza a maior parte das comemorações.

“Geralmente fazemos uma matinê para as crianças, com pipoca, salgadinho e refrigerantes. Já à noite temos um baile à beira da piscina, com frutas, tochas e distribuímos colares havaianos. A música fica por nossa conta mesmo. Não contratamos banda. A participação costuma ser muito grande, principalmente dos pequenos, que acabam levando os pais, o que estimula a sociabilização. Já presenciei caso de dois vizinhos que moravam um em frente ao outro, mas que não se conheciam e foram conversar na festa”, diz o síndico.

Menezes afirma que apesar de as festas serem dos moradores, o condomínio se faz presente para eventuais necessidades. “Nunca tivemos nenhum tipo de problema. Todos entendem que é uma comemoração estritamente familiar. Mas caso algo aconteça, é possível acionar os agentes de ronda, portaria, manutenção ou triagem.”

Bloco na rua – O Carnaval de rua de São Paulo terá número recorde de blocos este ano. De acordo com a prefeitura, são quase 900 inscritos. Caso o condomínio esteja em uma dessas rotas de desfile é preciso proteger o empreendimento e também alertar os moradores.

“A primeira providência é avisar os condôminos da existência do bloco e horário de passagem para que possam programar com antecedência a entrada e saída do condomínio diante de um provável tumulto ou mesmo bloqueio parcial ou total da via pública. Depois, se possível, proteger o jardim com lona ou filme plástico específico e colocar um posto a mais de vigilância, ainda que pago de forma avulsa, para controlar a frente do empreendimento para evitar eventuais danos e depredações. É importante lembrar que o vigilante deverá acionar a autoridade policial caso haja vandalismo e não poderá deter a pessoa em questão”, alerta Marques.

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