Para 2020, planejar é o caminho

Coluna de Marcio Rachkorsky
Divulgação

Por Marcio Rachkorsky*

No quesito finanças, o ano de 2019 vem sendo um desastre para muitos condomínios. Aumentos estratosféricos na conta de gás, dissídios coletivos acima da inflação, descontrole no consumo de água, inadimplência em alta, manutenções corretivas não previstas, caixa no vermelho, rateios extraordinários e até mesmo falta de dinheiro para pagar o 13º. Trata-se de um fenômeno nacional e nunca foi tão difícil a vida dos síndicos e administradores. Naturalmente, os ânimos estão acirrados em grupos de WhatsApp, corredores e assembleias. Cuidar de um condomínio virou tarefa extremamente complexa e requer uma equipe multidisciplinar. Tudo deve ser feito com técnica e, acima de tudo, com PLANEJAMENTO! Aliás, a crítica mais comum aos gestores é justamente a falta de planejamento, culminando muitas vezes em destituição ou renúncia de síndicos e conselheiros.

Neste cenário, o trabalho colegiado, com comissões temáticas de ajuda e apoio ao síndico, é o segredo para uma gestão tranquila e equilibrada. Tal qual uma cidade, cada condomínio deve traçar seu plano diretor, com metas, processos e procedimentos, tudo muito bem exposto e aprovado em assembleia. O planejamento deve ser feito em seis grandes áreas: finanças, obras, manutenção, segurança, jurídico e social, aproveitando o talento e habilidade de cada morador voluntário. Além disso, a pesquisa de opinião junto aos moradores é a ferramenta mais eficaz e simples para a definição de prioridades e execução de um plano de trabalho, investimento e benfeitorias para o condomínio, especialmente diante do preocupante cenário de assembleias com quórum baixíssimo. A adesão às pesquisas costuma ser maciça!

Para que o levantamento atinja seus objetivos e possa ser utilizado com segurança jurídica, colaborando para o planejamento de um ano inteiro, alguns cuidados são necessários:

– protocolo oficial de entrega aos moradores; 

– prazo para devolução, com assinatura do proprietário;

– questionário simples e espaço para ideias e sugestões;

– tabulação dos resultados e ampla divulgação aos moradores;

– assembleia extraordinária para aprovação das prioridades;

– cotação e concorrência para todas as obras, serviços e aquisições;

– assembleia extraordinária para aprovação do rateio e forma de pagamento.

Importante ressaltar que cada condomínio tem sua realidade própria e não adianta nada comparar o valor do seu boleto com o do prédio do amigo. O caminho é um estudo aprofundado nas contas, nos contratos e na operação como um todo, de forma a buscar economia e racionalização de custos, sem aventuras e ideias mirabolantes.

*Márcio Rachkorsky é advogado especialista em condomínios e colunista da Revista Área Comum

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