Programa Zero Energy é exemplo para o Brasil

Sustentabilidade

 

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Por Felipe Faria*

Já imaginou não ter de pagar conta de luz pelo resto da vida? Esse é um dos benefícios de um projeto ligado ao programa Zero Energy, um memorando de entendimento para a readequação energética e produção de energia elétrica solar.

Explico: o projeto é de autoria da Incorporadora Montagem, em Campinas, que é registrada no GBC Casa & Condomínio, uma certificação do GBC (Green Building Council). Empresa do setor de energia vai construir uma fazenda solar no interior de São Paulo. A incorporadora, por sua vez, se comportará com uma cotista. Cada futuro proprietário de apartamento automaticamente teria uma fração dessa usina fotovoltaica. Por mês seriam fornecidos 249 KW hora por apartamento. Estamos falando aqui de uma unidade de 60 metros quadrados, de classe média. Seria o suficiente para dar conta das necessidades de uma família. A preocupação com energia sustentável, contudo, vai além dos condomínios, alcançando também as escolas. O Governo do Estado do Paraná e o GBC, juntamente com a SEDU (Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Obras Públicas), o Serviço Social Autônomo Paranacidades e a Agência de Fomento do Paraná, já aderiram ao Programa Zero Energy, que visa atender 180 escolas em seis municípios.

A meta é expandir a iniciativa para as quatro mil escolas do Estado para que elas gerem 100% de toda a energia necessária para a operação, tornando-as autossuficientes. A elaboração dos projetos já foi iniciada e o investimento para a execução está garantido pela Agência de Fomento do Paraná. Quando as primeiras 180 escolas estiverem operando, o Brasil será uma das principais lideranças desse movimento de edificações autossuficientes em energia.O Paraná ficará atrás apenas do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que soma mais de 300 escolas com o mesmo perfil de projeto. A capacidade de produção dos painéis fotovoltaicos será de 9 MW de potência, com economia de R$ 9,5 milhões no primeiro ano.

Trata-se de uma ação de referência aos Estados brasileiros, como também aos demais países, pois está alinhado aos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecido pela ONU. Nesta primeira etapa, estão sendo realizadas análises das necessidades de energia de cada unidade, bem como a substituição dos equipamentos atuais por tecnologias mais econômicas. O segundo passo será o projeto de geração de energia fotovoltaica “on site” para cada escola, que será entregue aos municípios participantes da primeira etapa do Programa. Tanto o diagnóstico quanto os projetos seguirão todos os quesitos técnicos do edital do Programa de Eficiência Energética, da COPEL (Companhia Paranaense de Energia). Em posse do documento, o município irá encaminhar a solicitação de recursos a Fomento Paraná. Já o Paranacidades será o responsável pelo encaminhamento, apoio técnico e fiscalização do processo das obras.

Após a finalização das adequações e início das operações, serão feitas aferições periódicas para saber se, ao longo dos 12 meses seguintes, a unidade escolar comprovou que o consumo de energia da operação foi zerado por uma combinação de eficiência energética e geração de energia por fonte renovável, fato que garantirá à escola a certificação GBC Zero Energy.

*Felipe Faria é diretor executivo da Green Building Council Brasil

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