‘Salvei moradora que estava sendo espancada’, relembra síndico de Natal

Rio Grande do Norte Síndicos pelo país
Arquivo pessoal

Por Marília Montich

Helder José Santos, 31 anos, é síndico profissional em Natal, no Rio Grande do Norte, desde 2017. Mas foi em 2013 que ele teve o seu primeiro contato com a gestão condominial, quando assumiu a posição de subsíndico. De lá pra cá, ele apostou em qualificação – muita qualificação, diga-se de passagem. Apesar da pouca idade, já passou por situações difíceis de lidar, como a intervenção em um caso grave de violência doméstica. Confira abaixo sua entrevista na íntegra.

Como descobriu a vocação para ser síndico?

Trabalhando como subsíndico, comecei a atender uma demanda relativamente complexa e muito diversificada nas questões sociais e administrativas do condomínio. Vi que não seria difícil gerir o residencial se começasse a entender esse universo, buscando compreender também os anseios e expectativas existentes ali. Essa gama de informações me motivou a enfrentar todos os desafios diários.

Fez algum curso na área condominial? É síndico profissional?

Sim, tenho dois cursos de formação de síndico profissional. Também sou graduado em assistência social, com pós-graduação em Assistência Sócio-jurídica e, atualmente, estou cursando Direito. No campo administrativo tenho cursos técnicos de rotinas administrativas e de conciliação e mediação, o que contribui bastante para uma boa gestão condominial.

Conte uma situação desafiadora em condomínio pela qual já passou e como a solucionou.

É muito comum em condomínios ocorrer desavenças entre casais, as famosas “brigas de marido e mulher”. Numa dessas situações, houve uma que me chamou muita atenção quando liguei para o apartamento do casal para tratar do incômodo e a senhora que me atendeu estava aos prantos. Ela só chorava e não respondia minhas perguntas. Diante da situação perguntei se era grave e se podia chamar a polícia. Como ela não respondia eu disse: “se for sim, tussa três vezes. Se for não diga A. Então, ela tossiu três vezes e, prontamente acionamos a polícia. Naquele momento, ela estava sendo espancada e sofrendo ameaçada de morte, mas graças a Deus tudo foi resolvido.

Na sua visão, qual o principal desafio na carreira de um síndico?

Ter a profissão reconhecida e pautada nos parâmetros de atuação legislativa como uma carreira de importância para o desenvolvimento social e econômico de cada região. Além disso, o desafio é que seja levado em consideração o respeito e a proteção profissional dos síndicos.

Que características um bom síndico deve ter?

Acredito que um bom síndico deve ter paciência, estar sempre em busca de conhecer mais, ser dinâmico, comunicativo, justo, honesto, educado, inspirar confiança e ter a firmeza de um bom líder, bem como conhecer os limites e normas que regem sua administração.

Acredita que a profissão hoje é mais valorizada do que há alguns anos?

Observamos que a cada dia a profissão de síndico vem crescendo. Essa valorização se dá em função da organização dos profissionais que buscam atuar de forma coerente e justa, compreendendo os espaços, as evoluções, a socialização e difusão da profissão, bem como sua importância dentro e fora dos condomínios.

Qual é, na sua opinião, uma característica marcante dos condomínios do seu Estado? Há algum tipo de problema ou questão pela qual a maioria passa?

Sempre quando nos reunimos ou participamos de algum evento, compartilhamos as informações que absorvemos no dia a dia dentro dos condomínios. Sempre percebemos que, por mais diferentes que sejam os padrões e classe sociais, sempre esbarramos nos mesmos desafios: brigas entre vizinhos, desrespeito ao regimento interno, conflitos familiares, drogas, interesses coletivos e privados, entre outros. Administrativamente também é comum o relato de divergências entre a atuação dos síndicos e seus conselhos consultivos, que muitas vezes confundem suas atribuições e extrapolam a perspectiva de membros fiscalizadores, atropelando o trabalho do síndico. Finalizo afirmando que, para que haja uma boa atuação profissional, nós síndicos devemos sempre buscar conhecer com profundidade as realidades existentes dentro do condomínio. Conhecer a coletividade, suas questões sociais, econômicas, jurídicas e fundamentar tudo isso às normas do seu regimento interno, bem como do Código Civil. Só assim é possível se ter uma gestão justa, organizada e saudável para todos.

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